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Polícia analisa incompatibilidade entre salário e carro usado por bombeiro que atirou em atendente do McDonald’s

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Atualizado pela última vez em: 11 de maio de 2022
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Pedido de prisãoTestemunhas

A Polícia Civil apura se existiria uma incompatibilidade entre o salário e os bens do sargento do Corpo de Bombeiros que atirou contra o atendente de uma lanchonete do McDonald’s na Taquara, na Zona Oeste do Rio. As investigações tentam saber como Paulo César de Souza Albuquerque, que possui um salário de cerca de R$ 8 mil, poderia ter uma Mercedes como aparecem nas imagens de câmeras de segurança.

Os policiais também querem saber por qual motivo o carro estava sem placa. Os investigadores afirmam que ele alegou ter comprado o veículo em um leilão e que a placa foi perdida em uma ventania.

A defesa do sargento do Corpo de Bombeiros afirma que o disparo foi acidental. Ele se apresentou na 32ªDP (Taquara), que investiga o caso, prestou depoimento e foi liberado.

Mateus Domingues Carvalho, de 21 anos, segue internado no CTI do Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. De acordo com a família, ele perdeu o rim esquerdo e ainda deve passar por uma nova cirurgia para reconstruir o intestino. O quadro de saúde é estável. A família nega a versão da defesa.

“Não teve um disparo acidental. Ele está bem consciente e sabe muito bem o que aconteceu. E não foi acidental. Isso mexeu muito com ele. Ele tem medo e não sabe como vai ser quando voltar. Ele pensa no voltar ao trabalho”, disse Marcela Costa, tia do jovem.

O McDonald’s afirma que está colaborando com as investigações e prestando assistência aos familiares do funcionário.

Pedido de prisão

No começo da tarde de terça (10), o Corpo de Bombeiros afirmou que endossou o pedido de prisão preventiva do militar. A corporação informou que também foi aberto um processo no conselho disciplinar, que pode levar à expulsão. Os bombeiros informaram ainda que repudiam qualquer ato criminoso e condutas ilícitas dos seus integrantes.

Um pedido de prisão contra o sargento, feito pela Polícia Civil em parceria com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), já foi negado.

Paulo César tem outras passagens pela polícia. Em 2012, por lesão corporal e ameaça contra uma mulher. E em 2018, por violação de domicílio e invasão de um terreno.

Os bombeiros informaram que as anotações não estão nos registros funcionais do militar. A corporação afirma que isso pode ocorrer pois, muitas vezes, quando o militar comete atos ilícitos, ele não informa a condição funcional ao ser fichado na delegacia. A omissão teria como objetivo evitar sanções.

Ainda de acordo com a corporação, o porte e posse de armas foi suspenso, atendendo um pedido feito pelo comandante-geral dos bombeiros.

O caso é tratado pela 32ªDP (Taquara), que investiga o caso como tentativa de homicídio. A Polícia Civil pretende ouvir outros funcionários da lanchonete.

Testemunhas

Imagens de câmeras de segurança mostram o sargento parando no drive-thru da lanchonete e dando um soco no atendente, que revidou. Depois ele vai até a loja com uma arma na mão e empurra dois funcionários, um deles o segurança. Em seguida, Paulo César vai até a cabine onde Mateus estava e atira contra ele.

Segundo testemunhas, a discussão aconteceu por causa de um cupom de desconto.

“Eu estava lanchando e, quando ele chegou na frente da loja e pediu para falar comigo, como um cliente normal, eu abri a porta. Ele perguntou se eu era polícia e falei que não. Aí ele puxou a arma. Eu tentei conter ele, conversar, mas ele não quis conversa. Daí em diante ele entrou pela cozinha e aconteceu o fato da agressão contra o funcionário, o disparo de arma de fogo”, afirmou Rafael Mendonça, segurança da loja.

De acordo com ele, o bombeiro não quis diálogo.

“Quando eu o segurei para tentar falar com ele: ‘Vamos conversar que não é assim não. O que houve?’ E ele: ‘tira a mão de mim que eu vou te dar um tiro’. Infelizmente, eu não pude botar o peito na frente”, contou.

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