O Rio de Janeiro está entre os cinco estados brasileiros com os maiores índices de inadimplência, segundo o Ranking de Competitividade dos Estados de 2026, divulgado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). O estado ocupa a 23ª posição entre as 27 unidades da federação, ficando à frente apenas de Mato Grosso do Sul, Amazonas, Distrito Federal e Amapá.
O levantamento utiliza dados de 2025 da Serasa e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e considera a proporção de consumidores com dívidas em atraso em relação à população adulta. Quanto maior o percentual de inadimplentes, pior a posição no ranking.
O indicador faz parte de um estudo que avalia diferentes aspectos econômicos dos estados brasileiros, incluindo as condições do mercado consumidor.
Economista alerta para consumo excessivo e juros elevados
Na avaliação do economista José Alves de Azevedo, o aumento da renda e a redução do desemprego estimularam o consumo dos brasileiros. Entretanto, a falta de planejamento financeiro, associada aos juros elevados, tem contribuído para o crescimento das dívidas.
“O grande problema é que, sem organização e educação financeira, esse aumento do consumo pode levar ao endividamento. Temos ainda um agravante: os juros estão muito altos. No cartão de crédito, ultrapassam 400% ao ano. Isso não é uma taxa de juros. O cartão de crédito, na verdade, se transformou em um agiota institucional”, afirmou.
O economista também defende uma revisão dos gastos públicos, com redução de privilégios e benefícios fiscais, como forma de contribuir para o equilíbrio das contas do governo e criar condições para a queda dos juros.
Para ele, apesar da melhora no poder de compra da população, é fundamental que os consumidores tenham responsabilidade financeira.
“Dívida não é bom para ninguém. Você deve consumir aquilo que pode pagar”, concluiu.
Dívidas chegam a R$ 62,8 milhões em Campos e região
O cenário de inadimplência também preocupa em Campos dos Goytacazes e região. Segundo levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campos (CDL Campos), o valor das dívidas registradas na base do SPC Brasil administrada pela entidade atingiu R$ 62,8 milhões em outubro de 2026, um recorde.
Ao todo, foram contabilizados 48.096 registros de dívidas. Em comparação com setembro, o montante aumentou R$ 1,12 milhão, o equivalente a 1,81%, indicando o avanço das contas em atraso na região.